Criado em 2011 pela casaBranca Associação Cultural, o Festival Verão Azul desenvolve-se a partir do Algarve como uma plataforma dedicada à criação contemporânea, reunindo artistas nacionais e internacionais cujas práticas atravessam a dança, a performance, a música, o cinema, as artes visuais e outras formas de experimentação artística. Ao longo das suas edições, o festival tem promovido a apresentação de obras, processos de investigação, actividades de mediação e momentos de encontro entre artistas, comunidades e diferentes campos de conhecimento.
Se, nos primeiros anos, a programação se centrou sobretudo na apresentação de propostas performativas, o festival foi progressivamente incorporando novos formatos e contextos de criação. A exposição transdisciplinar passou a integrar de forma regular a sua programação, afirmando-se como um espaço de encontro entre diferentes linguagens, suportes e metodologias artísticas. Paralelamente ao programa performativo, as exposições têm permitido expandir as questões abordadas pelos artistas, criando novas formas de relação entre obras, públicos e contextos.





A partir da sua 9.ª edição, em 2019, o Festival Verão Azul adoptou um modelo bienal, possibilitando o desenvolvimento de projectos para além do período de programação pública. Esta transformação abriu espaço à realização de residências artísticas, laboratórios de pesquisa, programas de mediação e iniciativas de formação, reforçando uma prática assente na continuidade dos processos e no diálogo entre criação artística, pensamento crítico e território.
As actividades desenvolvidas entre edições tornaram-se progressivamente uma parte integrante do projecto, permitindo aprofundar relações com artistas, comunidades e parceiros locais e internacionais. Neste contexto, a formação e a investigação assumiram uma importância crescente, materializando-se em programas específicos que acompanham e expandem a programação artística do festival.






2026: Exposição Core Cuore
O ano de 2026 representa um momento de continuidade e aprofundamento deste trabalho, reunindo dois projectos centrais que reflectem a importância atribuída aos processos de criação, aprendizagem e investigação: a segunda edição da Escola Verão Azul e a apresentação da exposição transdisciplinar Core Cuore.
Em 2026 será apresentada a exposição Core Cuore, mostra transdisciplinar integrada no ciclo de actividades iniciado no âmbito da edição de 2024 do Festival Verão Azul. Desenvolvida a partir de processos de investigação artística de longa duração, a exposição reúne diferentes práticas e linguagens contemporâneas, prolongando no espaço expositivo questões exploradas através da performance, da imagem, do som e de outras formas de criação artística. Com este projecto, o festival reforça a articulação entre programação performativa e expositiva que tem caracterizado o seu percurso, promovendo diferentes formas de encontro entre artistas, obras e públicos.
2026: 2ª edição da Escola Verão Azul
Ainda em 2026, a segunda edição da Escola Verão Azul, que teve início em 2024, surge como um programa dedicado à formação, à partilha de práticas e à experimentação artística, reunindo participantes de diferentes contextos disciplinares e geográficos. Concebida como um espaço de aprendizagem colectiva e de intercâmbio entre artistas, investigadores e profissionais de diferentes áreas, a Escola promove contextos de reflexão crítica e de desenvolvimento de novas ferramentas de trabalho. Em 2026 terá lugar a sua segunda edição, dando continuidade a este programa de formação e investigação.
13ª edição Festival Verão Azul 2027
A 13.ª edição do Festival Verão Azul terá lugar entre Março e Abril de 2027, em Lagos, Faro e Loulé. Estruturada entre um programa performativo e uma exposição transdisciplinar, a programação centrar-se-á no arquivar enquanto prática crítica, reunindo artistas que trabalham entre a performance, a dança, a música, o cinema, a fotografia e os media expandidos.
Nesta edição, o arquivo é entendido não como um repositório estável, mas como um campo de negociação, contestação e regeneração. Sejam autobiográficas ou colectivas, as práticas artísticas apresentadas interrogam processos de construção da memória e da história, abordando diferentes formas de preservação, transmissão e desaparecimento. Em muitos destes trabalhos, o arquivo surge como um lugar onde documentos, imagens, testemunhos e narrativas são reactivados, transformados ou colocados em relação com novas leituras do presente.
As obras reunidas cruzam histórias pessoais com contextos geopolíticos, filosóficos e tecnológicos mais amplos, explorando o arquivo como espaço de conflito, especulação e imaginação. Entre memória e invenção, documento e ficção, os projectos apresentados reflectem sobre aquilo que é preservado, esquecido ou reescrito, propondo diferentes formas de pensar a relação entre passado, presente e futuro.
Longe de constituir um simples repositório do que aconteceu, o arquivo surge como uma prática activa de construção de significado, um lugar onde se disputam narrativas, se recuperam memórias e se imaginam outras possibilidades para o presente e para o futuro. É neste território de tensão entre preservação e transformação que a edição de 2027 propõe um conjunto de obras e experiências que atravessam fronteiras disciplinares e convocam diferentes formas de relação entre arte, memória e sociedade.



