A exposição Core Cuore * surge em 2026 como desdobramento da 12ª edição do Festival Verão Azul (2025), prolongando o seu impulso experimental e afirmando-se como um espaço de contaminação entre linguagens artísticas. Se o festival se apresentou como um laboratório onde as artes performativas, sonoras e plásticas convergiram para questionar o corpo nas suas dimensões política, social, urbana e pós-humana, esta exposição coletiva propõe aprofundar essas tensões no território expositivo, deslocando o foco para a experiência sensorial e emocional do espectador. Partindo da estética “corecore”, marcada pela justaposição de imagens, sons e referências aparentemente díspares, Core Cuore interroga o que está no centro – o “core” – da experiência contemporânea. Num tempo de hiperconectividade e sobre-exposição tecnológica, a exposição convoca sentimentos de alienação, nostalgia e introspeção, ao mesmo tempo que critica a saturação de informação e a superficialidade das interações digitais. Aqui, o fragmento torna-se linguagem e o excesso converte-se em matéria crítica.
Reunindo artistas de diferentes geografias e práticas, a exposição atravessa paisagens de imagem e som, culturas de internet e imaginários híbridos. Andy Thomas apresenta universos imersivos onde som e imagem se fundem, traduzindo vocalizações da natureza em formas visuais que oscilam entre o orgânico e o tecnológico. Jordan Stone traz uma abordagem cinematográfica marcada pela cultura digital e pela estética publicitária contemporânea, explorando novas formas de narrativa visual. Molly Soda investiga a performatividade do eu online, expondo a intimidade mediada e os códigos afetivos das redes sociais. John Rising convoca o caos e a ironia do corecore através de colagens audiovisuais que espelham a fragmentação do presente. Já Noper constrói atmosferas entre o onírico e o inquietante, onde memória, repetição e nostalgia se entrelaçam numa reflexão sobre a experiência contemporânea.
Core Cuore não oferece respostas lineares, mas antes um campo de ressonância onde o espectador é convidado a navegar entre camadas de sentido, confrontando-se com as contradições de um mundo simultaneamente hiperconectado e profundamente desconectado.
* A estética corecore emergiu sobretudo no TikTok, é frequentemente descrita como uma forma de “anti-estética” digital que responde à saturação extrema de conteúdos online. Trata-se de vídeos compostos por colagens caóticas de memes, excertos de filmes, publicidade e imagens banais, criando um efeito deliberadamente fragmentado que espelha o excesso e a repetição da cultura digital contemporânea . Mais do que um estilo visual coerente, o corecore funciona como uma crítica – muitas vezes irónica ou melancólica – ao consumo contínuo de media, evocando sentimentos de alienação, confusão ou vazio associados ao estar “sempre online” . Alguns autores chegam a descrevê-lo como uma espécie de “poesia visual” ou montagem existencial, onde o caos não é apenas estético, mas também uma forma de refletir sobre a experiência emocional e política da vida mediada por plataformas

NOPER
Noper (n. 1997) é um artista radicado na Flórida que trabalha nas áreas dos media digitais, vídeo e processos baseados em inteligência artificial. A sua prática explora a memória, a tecnologia e a fragilidade da percepção humana, esbatendo as fronteiras…

MOLLY SODA
Molly Soda (nome artístico de Amalia Soto, nascida em 1989, em San Juan) é uma artista radicada em Nova Iorque que desenvolve o seu trabalho nos campos da performance, vídeo, fotografia e instalação. A sua prática dilui as fronteiras entre…

JORDAN STONE
Jordan Stone é director criativo, realizador e editor, sediado em Los Angeles. O seu trabalho centra-se na criação de vídeos associados à estética e linguagem visual pós-corecore. Actualmente, desempenha funções como Vice-Presidente Sénior de Grupo da agência Story at Day…

JOHN RISING / @highenquiries
John Rising (Highenquiries) is a digital artist based in the United Kingdom, he studied film for many years, he likes to remain fairly anonymous and stays out of the public eye as much as possible. Sinopse/descrição:Corecore, the visual representation of…

ANDY THOMAS
Ao mesmo tempo que concluía a licenciatura em Design Gráfico, em 1995, Andy Thomas envolveu-se na emergente cena rave de Melbourne, na Austrália, onde realizava murais em luz ultravioleta. Mais tarde, passou a aplicar os seus conhecimentos informáticos na criação…
